Tinha olhos cor de noite e os seus cabelos de fogo ondulavam sob a brisa que lhe acariciava a face. Era pálido como a morte, alvo como a face lunar, e os seus traços rígidos e distantes eram desenhos de sombra na imagem do seu silêncio. Agitavam-se no vento as dobras das suas vestes, negras como as orbes que lhe iluminavam o rosto, fúnebres e lutuosas como o seu negro coração.
Também ele era noite, ainda que ninguém o soubesse. Ele que, perante o mundo, era senhor de mais almas que as que podia contar, o poderoso general das hostes imperiais, não tinha consigo senão a sombra da sua própria solidão. E se, perante os olhos de mundo, ele era de pedra e de gelo, frio e cruel na sua determinação, quando a noite descia sobre si, apenas a angústia partilhava o seu sono atormentado, a tristeza dos seus sonhos estrangulados no passado.
Dele diziam que era imortal, por todas as batalhas impossíveis que havia vencido. Era, contudo, apenas um homem amaldiçoado, aquele que buscava a morte para jamais a encontrar. E, do sussurro das lendas, mil vozes invocavam em uníssono o nome da sua falsa divindade.
Chamavam-lhe Claudius, o silente, o tenebroso. Mas nenhum deles sabia que trevas consumiam o seu coração.
. Ele
. Convite: Apresentação do ...
. E Morreram Felizes para S...