Tinha um segredo no rosto, uma sombra convertida numa máscara constante. Não o sabiam, mas a sua memória parecia apresentar-se ao mundo como o espectro de um arlequim, uma sombra colorida em todos os tons de azul, mas secretamente negra como a mais obscura noite.
Fingia um sorriso em cada traço, um pensamento dentro de cada emoção. E sonhava, secretamente, ainda que apenas com a libertação do deserto, o eterno adeus de quem não sente sequer a própria vida.
Quem poderia dizer, afinal, que ela era imortal e que, por detrás da máscara da sua juventude, se escondia o cansaço de uma alma demasiado velha para se perder no cárcere de um corpo com uma ainda longa vida pela frente? Quem poderia ver as sombras por detrás da sua luz?
E então sentiu-o, como um toque ao de leve, roçando o seu corpo através dos mantos do disfarce. E viu o mesmo sorriso, tão luminoso e aberto, mas tão falso na verdade. Viu as cores da sua sombra, reflexos de uma máscara tão estranha como a sua.
Num suave silêncio, estendeu-lhe a mão, num gesto aparentemente cordial. E ao encontrar o calor da sua pele, compreendeu o verdadeiro significado daquele leve movimento, apenas mais um gesto, mas desprovido de ilusões e subterfúgios.
- Vens comigo? – perguntou, num sussurro quase sem voz.
Nesse momento, todas as máscaras caíram.
. Ele
. Convite: Apresentação do ...
. E Morreram Felizes para S...