Era apenas um gesto, um vago sorriso traçado nos lábios de uma palavra marcada. E, ainda assim, ela sabia que, atrás daquele silêncio sereno, tão tranquilo e racional, havia a soturna sombra de quem vive um ambiente que não tem pés nem cabeça, apenas caos emocional.
Tão calmo o seu rosto, e, contudo, as mãos crispadas diante do torso denunciavam o seu nervosismo. Pela primeira vez na vida, dependia dela para prosseguir, mas nem assim se dispunha a admitir as suas fraquezas. Eram parte de si aqueles medos, como um destino de que não podia abdicar, nem no limite da ruína.
Silenciosamente, ela sorriu, avançando lentamente na sua direcção. Sentia o tremor das suas emoções, o turbilhão amordaçado sob aquela máscara de serenidade. Estendeu os braços para ele, como num sonho inefável, e conteve-o dentro de si, como um silêncio maternal.
- Não tenhas medo. – sussurrou – Eu estou aqui.
E, incrivelmente, o silêncio deixou de fazer sentido, e, na ilógica libertação dos corações moribundos, ele deixou cair o véu que o estrangulava e, apagando o sorriso do seu rosto atormentado, soltou no abraço dela as suas lágrimas.
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