Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Outro convite

Para além das apresentações que já tinha divulgado aqui, surgiu hoje a confirmação de mais uma. Assim, considerem-se desde já convidados para a sessão de apresentação do meu livro, a decorrer no dia

 

                   13 de Junho, às 16h30, no Clube Literário do Porto

 

Será um prazer receber-vos.

publicado por Carla Ribeiro às 17:26
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Sábado, 23 de Maio de 2009

Convite: Apresentação do livro "E Morreram Felizes para Sempre"

 

Caríssimos...

 

Como alguns já sabem, está quase, quase disponível o meu novo livro, "E Morreram Felizes para Sempre". Serve, pois, esta mensagem para vos convidar a assistir aos eventos que marquei até à data. 

 

Dia 15 de Junho:

        - pelas 21h30, sessão de apresentação na Biblioteca Dr. Júlio Teixeira, Vila Real

        - pelas 23h00, espectáculo de apresentação no Conta Coisas, Vila Real

 

Se puderem aparecer, lá estarei para vos receber da melhor forma possível. 

sinto-me: Expectante
música: X-Ray Dog - The Exalted One
publicado por Carla Ribeiro às 12:52
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

À Procura de um Herói

Naqueles dias, o silêncio era uma chama que lhe consumia as forças, um vazio que se entrelaçava em correntes entrecruzadas, deixando apenas a jaula da sua própria solidão. Ela era apenas um esboço da sua própria essência, um destroço inacabado entre ruínas de um vácuo que não passava da sua própria voz. E, naquela hora de sombras, quando a escuridão encobria os seus gestos, afogados entre a mordaça da cidade adormecida, ela decidira morrer.

Suspirou. Um leve sorriso aflorou aos seus lábios, débil e desamparado como o seu corpo ante o nada lá em baixo, a promessa da morte eterna, vulto gigante e tenebroso escondido na penumbra ao fundo daquela ponte. Seria tudo tão fácil, tão desesperadamente desejável… E, ainda assim, o seu pensamento hesitava, agarrado ao frágil murmúrio que lhe cantava no coração. E se ele vier? Se um dia ele voltar e tu não estiveres à sua espera?

Não… Com um gesto brusco, forçou-se a afastar esse pensamento. Ele, o homem que fora a luz das suas memórias e o tormento da sua actual solidão, partira nas vagas da distância e não voltaria jamais. Sabia-o. Sempre soubera que aquele que vira como o seu ídolo, o seu mentor, o seu tão humano herói que a ensinara a viver, não ficaria para sempre do seu lado, mas, ainda assim, cada minuto de ausência fora crescendo até ao nível de uma tortura insuportável, de um vazio demasiado tenso para afastar. E ela, perdida nos desertos de si própria, caminhara pelas estradas do destino, em busca de um novo anjo, um herói que colasse os pedaços do cristal fragmentado que era, afinal, o seu coração.

Mas ele não vinha. Ninguém viera e ela já não tinha as forças para continuar a suportar a sua tragédia pessoal. Lentamente, o seu corpo moveu-se em direcção ao abismo, um passo de cada vez. Depois, as suas mãos apoiaram-se no pequeno beiral que a afastava da sua decisão. E, quando o seu pensamento ditava à vontade que transpusesse essa última barreira, em direcção ao derradeiro salto, houve uma voz que se abriu no silêncio nocturno, e as palavras ecoaram na escuridão com a harmonia de uma sinfonia redentora.

- Não precisas de continuar. – dizia a voz – Eu estou aqui.

Surpreendida, ela voltou-se para olhar o vulto dele, a sombra quase imperceptível que agitava a escuridão silenciosa, mas que cada partícula do seu corpo reconhecia como o seu amor retornado.

- Voltaste. – murmurou, fitando o seu herói.

- Voltei. – respondeu ele, solene, como o anjo salvador que era, o herói que, mais uma vez, a redimia das suas próprias trevas – Vamos para casa?

Um suave sorriso brotou nos lábios dela, ao mesmo tempo que as lágrimas lhe invadiam o olhar. Depois correu na direcção dos seus braços para, encostada ao calor do corpo que ele lhe oferecia, responder numa palavra a todas as suas vontades quebradas.

- Vamos.

 

sinto-me: Nocturna
música: Within Temptation - Forgiven
publicado por Carla Ribeiro às 19:30
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Mais Longe que o Longe

Já não havia mais sonhos no seu rosto, nenhuma resposta para lá da distância do seu pensamento. Os seus olhos haviam petrificado, eternamente fixos no deserto dos céus, e ele não via ninguém, nem os vultos que se aproximavam, tentando fazer com que despertasse, nem a passagem das noites e dos dias, eternamente parados na repetição da sua imobilidade.

Não tinha mais silêncios que o seu próprio silêncio e o frio que lhe enlaçava o corpo sobre as suas roupas molhadas. A chuva havia tombado sobre o seu corpo rígido, encharcando as suas roupas, mas ele permanecera, silencioso, na memória do seu mundo perdido, esquecido de toda a esperança, perdido para toda a redenção.

Se pudesse voltar a encontrar-se… Se o passado regressasse do seu recôndito abismo, daquela gruta isolada mais longe que o próprio longe. Se apenas pudesse voltar a tocar o rosto de todos os sonhos que abandonara, a vida voltaria a fluir pelas suas veias, como um fantasmas retornado dos silêncios interiores.

Não havia, contudo, nenhum caminho capaz de inverter a estrada da sua imobilidade, a pedra em que se transformara, fria e ausente como o seu próprio coração. E ele esperava, imortal na sua imobilidade, pétreo como a mordaça dos seus sentimentos mortos, eternamente abandonado na espera de uma morte capaz de lhe estender o abraço dos seus braços.

E as lágrimas do mundo rodeavam a sua pena… mas ele nunca as poderia ver.

 

sinto-me: Inspirada
música: Maria Mena - Just Hold Me
publicado por Carla Ribeiro às 18:21
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